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Curitiba recebe exposição sobre Santo Sudário e seus mistérios
A exposição científica sobre uma das mais intrigantes relíquias da história, o Santo Sudário, chegará a Curitiba no dia 30 março, no Palladium Shopping Center.
Entre outras atrações, estarão reunidos objetos de diversas partes do mundo, entre eles o facsímile produzido diretamente em Turim e a reconstituição artística do Homem do Sudário.
Também poderão ser vistos o holograma completo da imagem sindônica, produzido pelo cientista holandês Petrus Soons; réplicas dos flagelos, coroa de espinhos e pregos, produzidos em Israel; estudos sobre imagens florais presentes no lençol, do botânico israelense Aminoan Danim.
Painéis interativos ilustram a exposição e explicam de forma dinâmica as conclusões dos cientistas sobre o misterioso lençol. Conferências dos maiores especialistas em Sudário do mundo e visitas com guias com grupo estão previstas.
O Sudário está guardado na catedral de Turim na Itália. É um tecido muito estudo por disciplinas como arqueologia, palinologia, hematologia, medicina forense, microbiologia, história, semiótica, numismática.
Estudiosos admitem existir grande coincidência entre as marcas impressas no tecido e o que os Evangelhos relatam sobre a Paixão de Cristo.
Segundo explica o website da exposição, http://www.homemdosudario.com.br, a coincidência começa pelo fato de que o lençol foi confeccionado segundo antigas técnicas do Egito e da Síria.
Nele há diversas manchas de sangue humano do tipo AB, mais comum em judeus. A análise do sangue indicou uma substância cicatrizante do fígado - a bilirrubina - produzida quando o corpo é gravemente traumatizado. O estudo constatou também cromossomos do tipo X e Y, confirmando que seria uma pessoa do sexo masculino.
Foram descobertos também dezenas de tipos de pólens no Sudário. As espécies de plantas foram identificadas: trata-se de plantas comuns do Vale do Jordão e Mar Morto, de lugares pedregosos ou salgados e regiões desérticas.
A análise médico-forense mostra que o homem do Sudário possuía altura entre 1,75 e 1,80m, com idade estimada de 30 a 37 anos, de raça semítica. No lençol há marcas que indicam que o Homem do Sudário foi açoitado e os ângulos das feridas permitem deduzir que havia dois flageladores. Já na imagem da cabeça há cerca de quarenta feridas causadas por objetos pontiagudos. Há também marcas de feridas nas mãos e pés que coincidem com as de um homem crucificado.
Maria Aparecida de Oliveira, gerente de Marketing do Palladium Shopping Center, afirmou que é uma honra receber uma exposição de tamanha importância.
"É a primeira vez que um shopping no Brasil recebe uma exposição científica internacional de imenso valor. Ela não tem como objetivo trazer conclusões e sim reflexões sobre um tema tão polêmico”, disse.
A Exposição “Quem é o Homem do Sudário” tem abertura ao público neste dia 30 de março, no Palladium Shopping Center, Piso L3, em Curitiba.
Família: central para vida da sociedade, indica Papa
A família é fundamental para a vida de uma sociedade sadia, indicou Bento XVI ontem, ao receber no Vaticano os bispos dos países escandinavos (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia) em visita ad Limina.
Recordando o enfraquecimento da instituição do matrimônio e da compreensão cristã da sexualidade humana, defendeu o direito das crianças de serem concebidas, “trazidas ao mundo e educadas dentro do matrimônio”.
“É através da relação segura e reconhecida dos seus próprios pais que elas podem descobrir sua identidade e alcançar seu próprio desenvolvimento humano”, afirmou, citando a instrução Donum Vitae.
Neste sentido, o Papa afirmou que, “em sociedades com a nobre tradição de defender os direitos de todos os seus membros, seria de esperar que a este direito dos filhos se desse prioridade, em relação a todo e qualquer alegado direito dos adultos a impor-lhes modelos alternativos de vida familiar e sem dúvida de qualquer suposto direito ao aborto”.
Abordando depois a questão da imigração, Bento XVI pediu que se garantisse a ajuda “a esses novos membros das vossas comunidades, para aprofundarem em seu conhecimento e compreensão da fé através de programas oportunos de catequese”.
Quanto à promoção das vocações, pediu que fosse feita “tanto entre os nativos quanto entre as populações imigrantes”, já que “do coração de qualquer comunidade católica sadia, o Senhor sempre chama homens e mulheres para servi-lo” na vida consagrada.
Em um âmbito mais geral, o Papa incentivou os bispos a transmitirem a mensagem social e ética da Igreja, elogiando as diversas iniciativas levadas a cabo neste sentido. E destacou o cuidado pastoral que deve ser prestado “aos casais nos quais apenas um dos cônjuges é católico”.
Constatando que a população católica do território é pequena em número e está estendida em uma ampla região, indicou que “é muito importante que percebam que, cada vez que se reúnem em torno do altar para o sacrifício eucarístico, estão participando de um ato da Igreja universal, em comunhão com os católicos do mundo inteiro”.
Destacando a importância da atividade ecumênica, animou os prelados a dedicarem suas energias à promoção de “uma nova evangelização”, priorizando “o incentivo e apoio aos vossos sacerdotes, que frequentemente têm de trabalhar isolados uns dos outros e em circunstâncias difíceis para administrar os sacramentos ao povo de Deus”.
Também pediu que comprovassem que os candidatos ao sacerdócio “estão bem preparados para esta tarefa sagrada”.
Finalmente, solicitou que garantissem “que os fiéis leigos valorizem o que seus sacerdotes fazem por eles e lhes ofereçam o ânimo e apoio espiritual, moral e material de que precisam”.
Bento XVI presidirá tríduo pascal
O Papa presidirá o próximo tríduo pascal no Vaticano, segundo seu programa de celebrações para esta Semana Santa, divulgado hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
No domingo, 28 de março, às 9h, ele abençoará os ramos de palmas e, ao finalizar a procissão, celebrará a Missa da Paixão do Senhor da Praça de São Pedro.
Nesse mesmo dia, ele participará da 25ª Jornada Mundial da Juventude, que tem como tema: “Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?” (Mc 10, 17).
No dia 1º de abril, Quinta-Feira Santa, Bento XVI presidirá – às 9h30, na Basílica Vaticana – a Santa Missa Crismal, com os cardeais, bispos e presbíteros, tanto diocesanos como religiosos, presentes em Roma.
Esta celebração tem um significado especial “como sinal da íntima comunhão entre o pastor da Igreja universal e seus irmãos no sacerdócio ministerial”, indica o comunicado.
À tarde, o Papa começará o tríduo pascal na capela papal da Basílica de São João de Latrão, às 17h30, presidindo a concelebração da Missa, na qual lavará os pés de 12 sacerdotes.
Durante o rito, os presentes serão convidados a realizar um gesto de caridade para a reconstrução do seminário de Porto Príncipe, no Haiti. O dinheiro recolhido será entregue ao Papa no momento da apresentação das oferendas.
Ao finalizar a celebração, acontecerá o translado do Santíssimo Sacramento ao tabernáculo.
Na Sexta-Feira Santa, 2 de abril, o Bispo de Roma presidirá a celebração da Paixão do Senhor: com a liturgia da Palavra, a adoração da cruz e o rito de comunhão, na capela papal da Basílica Vaticana, às 17h.
Às 21h15, presidirá a tradicional via sacra no Coliseu de Roma. Ao concluir, dirigirá sua palavra aos fiéis e dará a bênção apostólica.
No sábado, às 21h, o Pontífice abençoará o fogo novo no átrio da Basílica de São Pedro.
Depois da entrada processional na basílica, com o círio pascal e o canto do Exsultet, presidirá a liturgia da Palavra, a liturgia batismal e a liturgia Eucarística, que será concelebrada com os cardeais.
No dia seguinte, domingo de Páscoa, Bento XVI celebrará a Missa diante do sacrário da Basílica de São Pedro, às 10h15.
O papel da família no terceiro milênio
A primeira década do século XXI tem sido marcada por uma “confusão de valores e uma perda de referências”, realidade que atingiu muitas famílias. Foi o que afirmou na última quarta-feira o cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Quebec e primaz do Canadá.
O purpurado discursou sobre o tema “O papel da família no terceiro milênio”, no congresso “Oriente e ocidente: em diálogo sobre o amor e a família”, realizado nesta semana no Instituto João Paulo II para Estudos sobre a Família e o Matrimônio da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma.
“A humanidade vive hoje uma crise sem precedentes”, afirmou o cardeal Quellet, sublinhando alguns aspectos como a crise dos recursos naturais, o colapso financeiro, o terrorismo internacional e o relativismo moral – fenômenos, segundo ele, ligados à crise da fé. “No último século, modificou-se a imagem que o homem tem de si mesmo”, afirmou.
A crise cria também uma “confusão alimentada por uma linguagem ambígua”. Por isso, observa o purpurado, a crise atual “não é tão somente uma crise moral ou espiritual, mas principalmente antropológica, pois questiona a própria humanidade”.
Magistério e família
O purpurado lembrou como o Concílio Vaticano II foi capaz de abordar os desafios que se vislumbrava às portas do terceiro milênio. Destacou também como a Constituição Pastoral Gaudium et Spes tratou da questão da família, que deve viver “segundo a graça da semelhança trinitária”.
Da mesma forma, enfatizou a importância da família como “igreja doméstica”, afirmando que esta deve ser “recolocada no coração da Igreja”.
“A união introduz a família na relação entre Cristo e a Igreja, inaugurando uma nova dinâmica. Os cônjuges devem estar empenhados em amarem-se com Deus e em Deus”, acrescentou o purpurado.
Nutrir-se de Deus para projetar-se no mundo
O cardeal Oullet destacou como a Exortação Apostólica Familiaris Consortio de João Paulo II, publicada em 1981, constitui fruto das reflexões conduzidas durante o Concílio Vaticano II sobre a vocação e o papel da família, em especial sobre a necessidade de aprofundar o tema do homem e da mulher como seres criados à imagem e semelhança de Deus.
Recordou ainda que a vocação da família é ser “igreja doméstica”, com base nas palavras de São João Crisóstomo, que dizia “Faz de tua casa uma Igreja”, enfatizando que “há ainda muito a se descobrir neste sentido”, visto que a família não é apenas “uma imagem da Igreja, mas também uma realidade eclesial”.
No matrimônio, acrescentou o purpurado, verifica-se “a unidade do ‘nós’ não de maneira simbólica, mas real”, e os esposos “se doam e recebem a Cristo também no cotidiano”, como resultado de um “carisma de unidade, fidelidade e fecundidade”.
“O amor é o caminho da perfeição humana em Cristo”, assinalou o cardeal, mostrando como o amor conjugal representa a união de Eros e ágape. “Um amor plenamente humano, sensível, espiritual, fiel, exclusivo até a morte, que não se exaure e que continua a suscitar novas vidas”.
Um amor que, à semelhança da Trindade, “comporta em si uma abertura ao Filho, e, de maneira ainda mais profunda: o Filho e o Espírito que se doam aos esposos como fruto do amor”, uma comunhão que envolve “não apenas uma abertura ao Espírito e ao Filho, mas também à sociedade”.
Deste modo, indicou o arcebispo de Quebec, a família “participa da missão salvadora da Igreja”, de modo que tantos os esposos quanto os filhos se tornam “Focolares da comunhão interpessoal habitada por Cristo e escola de liberdade”, e assim podem “responder à confusão de valores da cultura de morte, da cultura da posse e do efêmero”.
Por uma sociedade e uma economia adequadas ao homem
Foi realizada em Milão, no dia 13 de março, no auditório Instituto Gonzaga, uma conferência promovida pela Fundação Enzo Peserico (www.ondazioneenzopeserico.org) sobre o tema “Por uma sociedade e uma economia adequadas ao homem. Reflexões acerca da Encíclica Caritas in Veritate”.
O evento abordou o tema do desenvolvimento sob a ótica da doutrina social, da caridade que não pode ser desvinculada da verdade, contrapondo a ideologia do relativismo e do materialismo, que mostra sua falência social e econômica.
Na abertura da conferência, Sabrina Pagani Peserico, presidente da Fundação e viúva de Enzo Peserico, recordou a figura de seu marido, testemunha exemplar de uma vida cristã que, em todos os contextos, seja o familiar, o social, o educacional ou o profissional, pôde demonstrar que é possível viver de acordo com os princípios do Evangelho.
Stefano Fontana, diretor do Observatório Internacional “Cardeal Van Thuân” sobre a doutrina social da Igreja, lembrou, ao abordar o tema “Liberdade e responsabilidade: a autêntica vocação da atividade econômica”, que a encíclica Caritas in Veritate é muito mais que documento sobre economia.
O Pontífice surpreendeu ao afirmar que o princípio de gratuidade e a lógica do dom, como expressões da fraternidade, podem e devem encontrar lugar dentro da atividade econômica normal (n. 36). Fontana partiu desse ponto para demonstrar a necessidade da economia estar sustentada por elementos não-econômicos.
De fato, o dom não pode ser colocado como algo alheio à atividade econômica, mas deve estar nela inserido como um princípio. Este representa a vocação da atividade econômica enquanto indica sua autêntica natureza e seus fins últimos, mas a economia não poderá reconhecê-lo e acolhê-lo se este já não estiver nela contido; não se pode desejar algo que não se conhece previamente.
Para Fontana, isto explica não apenas a natureza da relação entre a economia e a lógica do dom, mas também a da relação entre razão e fé, entre justiça e caridade. Nenhuma destas dimensões se estabelece por si, de modo independente da verdade; cada qual é constituído mediante um sentido que é derivado dos demais. Este sentido estabelecido não pode ser produzido, apenas acolhido no dom.
Fontana pôde assim atingir o âmago do ensinamento contido na Caritas in Veritate, que é precisamente a verdade e o amor. A experiência, de nossa parte, destas categorias, é de um sentido que nos é dado como dom, do qual dependem nossa identidade e dignidade.
Abre-se assim o caminho para um “posto para Deus no mundo”, à luz de uma verdade e sob o calor de um amor que desvela a verdade e a dignidade de todas as coisas – incluindo a economia.
Stefano Zamagni, professor de economia política na Universidade de Bolonha, desenvolveu o tema das “Raízes da crise e a busca pela harmonia perdida”, no qual indagou o porquê da Caritas in Veritate ser tão estudada e discutida.
Para ele, o motivo é que esta aborda com clareza os três principais paradoxos associados ao mal-estar em nossa civilização. O primeiro destes paradoxos é o de que enquanto se observa um aumento de renda, as desigualdades aumentam em maior proporção. O segundo, é que dispomos de um sistema agroalimentar capaz de sustentar 12 bilhões de pessoas enquanto ainda se morre de fome e desnutrição em larga escala. O terceiro é o paradoxo da felicidade: excedida a renda de 32 mil dólares, novos aumentos na riqueza fazem diminuir o índice de felicidade.
Tais considerações colocam em cheque a própria essência do modelo capitalista e o próprio sentido da atividade econômica. Ninguém pode prescindir da felicidade. Segundo Zamagni, a Caritas in veritate denuncia a existência de três perigosas separações. A primeira é a separação entre a economia e a sociedade. Economia tem sido, de fato, associada à produção de riqueza segundo critérios de eficiência, enquanto que a sociedade recebe a atribuição de redistribuí-la de acordo com o critério da solidariedade.
A segunda é a separação entre trabalho e riqueza. Até então, pensava-se que a riqueza derivasse do trabalho, mas hoje, com a atividade financeira e especulativa, já não se pensa assim. Assim, contraria-se a doutrina social da Igreja, para a qual o trabalho é colaboração na obra criativa de Deus.
A terceira separação é a que se estabelece entre mercado e democracia, uma vez que se considera que as leis de mercado têm sua origem no próprio mercado. Segundo Zamagni, a Caritas in Veritate indica três princípios para guiar o restabelecimento da harmonia, recompondo estas fraturas. O primeiro é o de que a fraternidade deve ser inserida no seio dos mercados, e não acrescentada como anexo. O segundo princípio é o da “liberdade para”, que coincide com o problema educativo e com a emergência educacional. O terceiro é o do bem comum, que não é um bem total, soma dos bens individuais, mas sim o produto de uma ética das virtudes.
Massimo Introvigne, sociólogo das religiões e vice-chefe da Aliança Católica Nacional, tem concluído os debates com uma palestra sobre o tema "Fé, Razão, pessoa, comunidade", percorrendo quatro aspectos da encíclica não tratados pelos oradores anteriores: a natureza e fundamento da doutrina social da Igreja; a memória da encíclica do Papa Paulo VI, Populorum Progressio; uma descrição de quão profundamente foi mudada a sociedade ao longo dos mais de quarenta anos que separam esses textos; e, finalmente, uma apresentação dos principais desafios que, no presente contexto, devem-se concentrar as ações tomadas à luz da doutrina social da Igreja.
Denunciando os riscos do relativismo, Introvigne lembrou que defender a verdade, anunciando-a e testemunhando-a, constitui uma forma de caridade. A propósito da Populorum Progressio, Bento XVI reafirmou a necessidade de lê-la à luz da Tradição da doutrina social da Igreja.
E ao substantivo "desenvolvimento", o Pontífice assoma sempre o adjetivo "integral", para enfatizar que o desenvolvimento do qual fala a Igreja não se restringe ao desenvolvimento econômico.
Se, concomitantemente ao crescimento do produto interno de uma sociedade registra-se também um aumento no número de suicídios e abortos, ou se alastra o ateísmo, não estamos diante de um desenvolvimento autêntico. Como afirmou Bento XVI: “é preciso afirmar que hoje a questão social tornou-se radicalmente antropológica” (n. 75).
Para concluir, se excluirmos a dimensão espiritual, não lograremos superar a crise de nossos dias, nem a crise econômica, nem a crise da solidão, e o desenvolvimento integral verdadeiro não se concretizará.
O evento abordou o tema do desenvolvimento sob a ótica da doutrina social, da caridade que não pode ser desvinculada da verdade, contrapondo a ideologia do relativismo e do materialismo, que mostra sua falência social e econômica.
Na abertura da conferência, Sabrina Pagani Peserico, presidente da Fundação e viúva de Enzo Peserico, recordou a figura de seu marido, testemunha exemplar de uma vida cristã que, em todos os contextos, seja o familiar, o social, o educacional ou o profissional, pôde demonstrar que é possível viver de acordo com os princípios do Evangelho.
Stefano Fontana, diretor do Observatório Internacional “Cardeal Van Thuân” sobre a doutrina social da Igreja, lembrou, ao abordar o tema “Liberdade e responsabilidade: a autêntica vocação da atividade econômica”, que a encíclica Caritas in Veritate é muito mais que documento sobre economia.
O Pontífice surpreendeu ao afirmar que o princípio de gratuidade e a lógica do dom, como expressões da fraternidade, podem e devem encontrar lugar dentro da atividade econômica normal (n. 36). Fontana partiu desse ponto para demonstrar a necessidade da economia estar sustentada por elementos não-econômicos.
De fato, o dom não pode ser colocado como algo alheio à atividade econômica, mas deve estar nela inserido como um princípio. Este representa a vocação da atividade econômica enquanto indica sua autêntica natureza e seus fins últimos, mas a economia não poderá reconhecê-lo e acolhê-lo se este já não estiver nela contido; não se pode desejar algo que não se conhece previamente.
Para Fontana, isto explica não apenas a natureza da relação entre a economia e a lógica do dom, mas também a da relação entre razão e fé, entre justiça e caridade. Nenhuma destas dimensões se estabelece por si, de modo independente da verdade; cada qual é constituído mediante um sentido que é derivado dos demais. Este sentido estabelecido não pode ser produzido, apenas acolhido no dom.
Fontana pôde assim atingir o âmago do ensinamento contido na Caritas in Veritate, que é precisamente a verdade e o amor. A experiência, de nossa parte, destas categorias, é de um sentido que nos é dado como dom, do qual dependem nossa identidade e dignidade.
Abre-se assim o caminho para um “posto para Deus no mundo”, à luz de uma verdade e sob o calor de um amor que desvela a verdade e a dignidade de todas as coisas – incluindo a economia.
Stefano Zamagni, professor de economia política na Universidade de Bolonha, desenvolveu o tema das “Raízes da crise e a busca pela harmonia perdida”, no qual indagou o porquê da Caritas in Veritate ser tão estudada e discutida.
Para ele, o motivo é que esta aborda com clareza os três principais paradoxos associados ao mal-estar em nossa civilização. O primeiro destes paradoxos é o de que enquanto se observa um aumento de renda, as desigualdades aumentam em maior proporção. O segundo, é que dispomos de um sistema agroalimentar capaz de sustentar 12 bilhões de pessoas enquanto ainda se morre de fome e desnutrição em larga escala. O terceiro é o paradoxo da felicidade: excedida a renda de 32 mil dólares, novos aumentos na riqueza fazem diminuir o índice de felicidade.
Tais considerações colocam em cheque a própria essência do modelo capitalista e o próprio sentido da atividade econômica. Ninguém pode prescindir da felicidade. Segundo Zamagni, a Caritas in veritate denuncia a existência de três perigosas separações. A primeira é a separação entre a economia e a sociedade. Economia tem sido, de fato, associada à produção de riqueza segundo critérios de eficiência, enquanto que a sociedade recebe a atribuição de redistribuí-la de acordo com o critério da solidariedade.
A segunda é a separação entre trabalho e riqueza. Até então, pensava-se que a riqueza derivasse do trabalho, mas hoje, com a atividade financeira e especulativa, já não se pensa assim. Assim, contraria-se a doutrina social da Igreja, para a qual o trabalho é colaboração na obra criativa de Deus.
A terceira separação é a que se estabelece entre mercado e democracia, uma vez que se considera que as leis de mercado têm sua origem no próprio mercado. Segundo Zamagni, a Caritas in Veritate indica três princípios para guiar o restabelecimento da harmonia, recompondo estas fraturas. O primeiro é o de que a fraternidade deve ser inserida no seio dos mercados, e não acrescentada como anexo. O segundo princípio é o da “liberdade para”, que coincide com o problema educativo e com a emergência educacional. O terceiro é o do bem comum, que não é um bem total, soma dos bens individuais, mas sim o produto de uma ética das virtudes.
Massimo Introvigne, sociólogo das religiões e vice-chefe da Aliança Católica Nacional, tem concluído os debates com uma palestra sobre o tema "Fé, Razão, pessoa, comunidade", percorrendo quatro aspectos da encíclica não tratados pelos oradores anteriores: a natureza e fundamento da doutrina social da Igreja; a memória da encíclica do Papa Paulo VI, Populorum Progressio; uma descrição de quão profundamente foi mudada a sociedade ao longo dos mais de quarenta anos que separam esses textos; e, finalmente, uma apresentação dos principais desafios que, no presente contexto, devem-se concentrar as ações tomadas à luz da doutrina social da Igreja.
Denunciando os riscos do relativismo, Introvigne lembrou que defender a verdade, anunciando-a e testemunhando-a, constitui uma forma de caridade. A propósito da Populorum Progressio, Bento XVI reafirmou a necessidade de lê-la à luz da Tradição da doutrina social da Igreja.
E ao substantivo "desenvolvimento", o Pontífice assoma sempre o adjetivo "integral", para enfatizar que o desenvolvimento do qual fala a Igreja não se restringe ao desenvolvimento econômico.
Se, concomitantemente ao crescimento do produto interno de uma sociedade registra-se também um aumento no número de suicídios e abortos, ou se alastra o ateísmo, não estamos diante de um desenvolvimento autêntico. Como afirmou Bento XVI: “é preciso afirmar que hoje a questão social tornou-se radicalmente antropológica” (n. 75).
Para concluir, se excluirmos a dimensão espiritual, não lograremos superar a crise de nossos dias, nem a crise econômica, nem a crise da solidão, e o desenvolvimento integral verdadeiro não se concretizará.
Homenagem a Chiara Lubich, fundadora dos Focolares
O movimento dos Focolares celebrou o segundo aniversário da morte de sua fundadora, Chiara Lubich, falecida no dia 14 de março de 2008 em Rocca di Roma, perto de Roma.
L’Osservatore Romano dedicou vários artigos a Chiara Lubich, em suas edições dos dias 14 e 16 de março.
Em Roma, a presidente atual do movimento dos Focolares, Maria Voce, relembrou a vida de Chiara Lubich, marcada por seu grande desejo de unidade, durante um congresso organizado dia 14 de março, em Roma, para homenagear a fundadora dos Focolares.
“Celebramos uma vida, uma vida pela unidade que começou com Chiara Lubich, portadora de um evidente e grande dom de Deus, e que quis continuar levando frutos de um extremo ao outro da terra, e para benefício de toda a humanidade”, indicou Maria Voce.
“Essa vida é expressa em milhares de realizações concretas da espiritualidade da unidade que ela nos deixou”, acrescentou.
Durante o congresso, o cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Conselho Pontíficio para os Leigos, também evocou a fundadora dos Focolares como “uma figura que marcou profundamente a vida da Igreja e do mundo no século XX”.
Ela foi “um grande sinal de esperança, com os diferentes carismas concedidos pelo Espírito Santo na Igreja de hoje”, afirmou.
Uma vida com base na sabedoria e na unidade
Por sua vez, o presidente do Conselho Pontíficio para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi, se deteve na “sabedoria” e na “unidade” em que se baseou a existência de Chiara Lubich.
Na missa que presidiu dia 13 de março em sua memória, evocou a sabedoria como “um grande dom de Deus que necessita da inteligência, mas sobre tudo de uma grande carga de humanidade, de uma grande capacidade para dar sentido e sabor à existência”.
Respeito à unidade, não significa somente “estar uns ao lado dos outros”, sim experimentar “que eu estou em você e você em mim, segundo diz o Evangelho”: uma unidade que é “comunhão”.
E concluiu em sua homilia com a oração de Chiara Lubich: “Te amo porque entrou na minha vida mais do que o ar em meus pulmões, mais que o sangue em minhas veias. Entrou onde ninguém podia entrar, quando ninguém podia me ajudar, cada vez que ninguém podia me consolar. Toda vez eu lia a explicação em tuas palavras, a solução em seu amor”.
Um movimento reconhecido em 1964
Nascida em Trento dia 22 de janeiro de 1920, Chiara Lubich fundou o movimento dos Focolares em 1943.
Lançado sob bombardeios da Segunda Guerra Mundial e entre os pobres de Trento, esse movimento, focado na renovação espiritual e social, começou como uma aventura que ela mesma qualificava como “aventura divina”.
Chiara Lubich não tinha mais que 23 anos quando decidiu se consagrar de maneira definitiva e total a Deus.
Seu movimento é hoje fonte de inspiração para mais de quatro milhões de pessoas, das quais mais de cem mil são membros ativos e comprometidos.
Sua influência vai além da religião católica, chegando a milhões de pessoas de diferentes Igrejas e de diferentes religiões (judeus, muçulmanos, budistas, hindus) ou de convicções não religiosas, todas aplicadas em um mesmo projeto: viver e difundir a fraternidade universal, contribuir com a edificação de uma só família humana.
Reconhecido oficialmente pelo nome de “Obra de Maria” em 1964, o movimento dos Focolares levantou um grande número de lugares de formação espiritual e social, assim como encontros ecumênicos e inter-religiosos.
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