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Visita do Papa a Malta supera todas as expectativas
A metade da população do arquipélago de Malta saiu ao encontro de Bento XVI durante sua visita apostólica, um dado que permite compreender o efeito desta que foi sua décima quarta viajem internacional.
Em seu regresso a Roma, padre Federico Lombardi S.J,. diretor do Escritório de Informação da Santa Sé fez o seguinte balanço: “certamente foi sumamente positivo (...) diria que superou as expectativas dos organizadores malteses. Isto porque o calor da resposta, a quantidade espontânea de pessoas pelas ruas, todas tão alegres e cheias de entusiasmo, foi algo que impressionou profundamente”.
Dos cerca de 400 mil habitantes de Malta, estima-se que 200 mil estiveram presentes nas ruas para ver o Papa.
O padre Lombardi, falando aos microfones da Rádio Vaticana, atribuiu esta extraordinária participação às “raízes cristãs” do povo maltês e a sua “grande tradição católica”, que “se manifestou espontâneamente.
Com respeito ao encontro do Papa com vítimas de abuso sexual, ocorrido na Nunciatura Apostólica no domingo, padre Lombardi revelou que “a reunião foi muito simples”, “discreta” e “distante do barulho dos meios de comunicação”. Constituiu um “momento de oração”, seguido pela “escuta atenta por parte do Papa das palavras que estas pessoas queriam dizer, tudo o que sentiam em seus corações e queriam dizer ao Papa na condição de pastor e pai”.
“As respostas foram simples, muito espontâneas, compartilhando a dor, a oração, o alento e a esperança que o Papa podia transmitir a cada uma delas”. “É importante que este tenha sido um encontro no qual cada um pôde expressar o que sentia ao Papa, pois se tratava de curar feridas íntimas e muito profundas”.
“Parece-me que os testemunhos destes participantes, que quiseram falar de modo livre, foram sumamente positivos. Eu, que estava presente, pude ver que o clima era de profunda comoção, mas também muito sereno e pleno de esperança, de cura e de reconciliação”.
O diretor do “L'Osservatore Romano”, Giovanni Maria Vian, disse que “neste processo incessante de purificação, a Igreja de Roma é chamada a servir de exemplo, e é isto o que está fazendo seu bispo, desde o dia em que foi eleito como sucessor de Pedro”.
“Por esse motivo, também em Malta, Bento XVI indicou um caminho para seus fiéis e para o mundo, ao encontrar-se com as vítimas”, afirmou. “Para declarar sua vergonha e sua dor, e para assegurar que todo o possível está sendo feito para que a justiça seja estabelecida”.
Papa: cristãos devem ter coragem de falar da vida eterna
"A obediência a Deus tem a primazia" e torna o homem verdadeiramente livre, inclusive para opor-se à ditadura do conformismo. Esta foi a mensagem de Bento XVI na homilia da Missa celebrada hoje com os membros da Pontifícia Comissão Bíblica.De 12 a 16 de abril, de fato, está sendo realizado no Vaticano a plenária da Comissão, sob a presidência do cardeal Willian Levada, sobre o tema "Inspiração e verdade da Bíblia".
Segundo informou a Rádio Vaticano, o Papa, recordando as palavras de São Pedro no sinédrio, afirmou: "Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens. (...) E preciso sublinhar que a obediência a Deus dá a Pedro a liberdade de opor-se à suprema instituição religiosa.
"Pelo contrário, nos tempos modernos - observou Bento XVI - teorizou-se a libertação do homem, também da obediência a Deus: o homem seria livre, autônomo e nada mais."
"Mas esta autonomia - prosseguiu o Pontífice - é uma mentira, uma mentira ontológica, porque o homem não existe para si mesmo e por si mesmo; é uma mentira política e prática, porque a colaboração e a partilha das liberdades são necessárias e, se Deus não existe, se Deus não é uma instância acessível ao homem, permanece como suprema instância somente o consenso da maioria."
"Depois o consenso da maioria, torna-se a última palavra à qual devemos obedecer, e este consenso - sabemo-lo da historia do século passado - pode ser também um consenso no mal. Assim, vemos que a chamada autonomia não liberta o homem."
"As ditaduras estiveram sempre contra esta obediência a Deus", sublinhou o Papa.
"A ditadura nazista, assim como aquela marxista, não podem aceitar um Deus acima do poder ideológico e a liberdade dos mártires que reconhecem Deus... é sempre o cto da libertação, no qual chega a liberdade de Cristo a nós."
Hoje, no entanto, existem formas sutis de ditadura: "Um conformismo pelo qual se torna obrigatório pensar como pensam todos, agir como agem todos, e a sutil agressão contra a Igreja, ou também menos sutil, mostram como este conformismo pode realmente ser uma verdadeira ditadura".
"Para os cristãos - acrescentou Bento XVI -, obedecer antes a Deus do que aos homens supõe que se conheça verdadeiramente a Deus e querer verdadeiramente obedecer."
"Nós, muitas vezes, temos um pouco de medo de falar da vida eterna. Falamos das coisas que são úteis para o mundo, mostramos que o cristianismo ajuda também a melhorar o mundo, mas que a sua meta seja a vida eterna e que da meta venham depois os critérios da vida, não ousamos dizê-lo."
"Então - prosseguiu o Papa -, devemos, pelo contrário, ter a coragem, a alegria, a grande esperança de que a vida eterna existe, que é a vida verdadeira e que desta vida verdadeira vem a luz que ilumina também este mundo."
Nesta perspectiva - recolhe a Rádio Vaticano -, "a penitência é uma graça, graça que nós reconheçamos o nosso pecado, que reconheçamos que precisamos de renovação, de mudança, de uma transformação do nosso ser".
"Devo dizer que nós, cristãos, também nos últimos tempos - observou -, muitas vezes evitamos a palavra penitência, que nos parece dura demais. Agora, sob os ataques do mundo que nos falam dos nossos pecados, vemos que poder fazer penitência é graça e vemos como é necessário fazer penitência, isto é, reconhecer aquilo que está errado na nossa vida."
"Abrir-se ao perdão, preparar-se para o perdão, deixar-se transformar. A dor da penitência, isto é, da purificação e da transformação, esta dor é graça, porque é renovação, é obra da Misericórdia divina", concluiu.
Haiti: Cáritas continua a levar esperança após o terremoto
Transcorridos 3 meses desde o terremoto que devastou o Haiti em 12 de janeiro, já se verificam progressos, graças também aos esforços da Cáritas, que já atendeu mais de 1,5 milhão de sobreviventes da tragédia.
O terremoto causou 230 mil mortes, destruiu completamente a infra-estrutura do país e deixou mais de 3 milhões de desabrigados.
Membros da Cáritas de mais de 60 países atuaram nos trabalhos de suporte e de atendimento de emergência, fornecendo comida, alojamento, água potável, locais seguros para que as crianças possam brincar e estudar, além de assistência médica e psicológica.
A rede Cáritas já mobilizou mais de 10 milhões de euros para as operações no Haiti e planeja atuar na crise ao longo dos próximos 5 anos, buscando ajudar os habitantes a construir um país auto-suficiente.
A organização trabalha em cooperação com diversos organismos internacionais para fornecer alojamentos provisórios aos desabrigados, e até o momento já disponibilizou tendas para cerca de 100 mil pessoas em acampamentos improvisados.
Os projetos de assistência médica já beneficiaram mais de 350 mil haitianos. Foram construídas 25 escolas provisórias e 53 instituições de ensino receberam apoio para retomarem suas atividades. A Cáritas desenvolve também uma série de projetos de crianças e de suas famílias, separadas pelo terremoto.
A organização promoveu ainda dois encontros de agricultores, onde foram fornecidos cupons para a aquisição de sementes, fertilizantes e outros insumos agrícolas. A Cáritas atua também em conjunto com os agricultores, tendo em vista evitar a erosão do solo, promovendo o plantio de árvores frutíferas.
Desarmamento nuclear, “boa notícia” para Santa Sé
Uma “boa notícia”: com estas palavras, a Santa Sé acolheu a assinatura do Tratado de Redução de Armamentos Nucleares Estratégicos (START-2), entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia.
A assinatura do tratado aconteceu no dia 8 de abril, na sala espanhola do Castelo presidencial de Praga, onde o Papa se dirigiu ao Corpo Diplomático, no dia 26 de setembro de 2009, para exigir “novos modelos na vida pública e de solidariedade entre as nações e povos”, sem os quais o futuro da justiça, paz e prosperidade ficará sem resposta.
O Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, no editorial do último número de Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano, considera que, do ponto de vista exposto pelo Papa, o tratado START-2 “é uma boa notícia”.
De fato, constata, “supera-se uma situação de impasse e se retoma o caminho rumo à redução e, esperamos, à eliminação dos arsenais bélicos”.
O tratado limita o número de ogivas a 1.550 e os foguetes, a 800. Supõe uma diminuição de 30% com relação ao Dsnp e de 74% com relação ao START-1.
As armas nucleares permitidas pelo tratado “são sempre suficientes para destruir o nosso planeta, mas são mais reduzidas em relação ao período de acúmulo sem limites, inútil e ilógico”.
“Falar justamente de paz, de confiança e de solidariedade quando ainda existem milhares de ogivas nucleares potentíssimas, é provavelmente muito otimista, mas se trata do caminho justo, e é urgente prosseguir nele”, reconhece o Pe. Lombardi.
Para o porta-voz, com este acordo “se torna mais crível falar de não-proliferação nuclear aos Estados com esse tipo de ambição, e será possível destinar recursos econômicos, científicos e humanos às necessidades mais urgentes da humanidade e do seu desenvolvimento”.
“Todo esforço nesta direção deve ser encorajado e a Igreja sempre apoiará os agentes de paz”, conclui.
A Igreja está com o Papa, assegura cardeal Sodano
O cardeal Ângelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, em sua saudação a Bento XVI por ocasião da Páscoa, assegurou que a Igreja é particularmente solidária ao Santo Padre neste momento em que se verifica um campanha de críticas por parte dos veículos de comunicação.
No início da Missa presidida pelo Papa na praça São Pedro, o purpurado, que era também secretário de Estado vaticano, afirmou: “Estamos reunidos em torno de vós”
“Somos profundamente gratos pela força de vontade e pela coragem apostólica com as quais anuncia o Evangelho de Cristo”, afirmou referindo-se ao Papa.
“Está com ele o povo de Deus, que não cessa de se impressionar com os rumores do momento, com as provas que por vezes atingem a comunidades dos que creem”, sublinhou.
“Com ele estão os cardeais, seus colaboradores na Cúria Romana. Com ele estão os bispos de todo o mundo, que dirigem as 3 mil circunscrições eclesiásticas do planeta. Estão particularmente com ele nestes dias os 400 mil sacerdotes que servem generosamente o povo de Deus, nas paróquias, nos oratórios, nas escolas, nos hospitais e em tantos outros ambientes, bem como nas missões pelas regiões mais remotas do mundo”.
O cardeal Sodano lembrou então as palavras do Papa, quando, na quinta-feira passada, durante a Missa para a Bênção dos Óleos Santos, descreveu a atitude de Cristo durante sua Paixão: “insultado, não respondia com insultos, maltratado, não ameaçava vingança, mas confiava naquele que julga com justiça”.
“Nesta solenidade pascoal” – concluiu o cardeal Sodano – “nós rezaremos por Vossa Santidade, para que o Senhor, Bom Pastor, continue a sustentar-vos em sua missão a serviço da Igreja e do mundo”.
Bento XVI: “O Batismo é o elixir da vida eterna”
O elixir da longa vida e da imortalidade, procurado há séculos pelo homem, existe, assegurou Bento XVI na Vigília Pascal: é o Batismo.
Na “mãe de todas as vigílias”, o Pontífice administrou este sacramento a seis catecúmenos: quatro mulheres – duas albanesas, uma somali e outra sudanesa - , um japonês e um menino russo de cinco anos de idade.
“Sim, esta é a ‘erva medicinal’ contra a morte, o verdadeiro fármaco da imortalidade de fato existe” – afirmou o Papa em sua homilia – “já foi descoberto e está disponível; no Batismo, este remédio nos é doado”.
“Uma nova vida se inicia em nós, uma vida nova que amadurece na fé e não pode ser cancelada pela morte da vida velha”, disse o Santo Padre.
A Vigília Pascoal teve início com o “lucernário” no átrio da Basílica de São Pedro, com a benção do fogo novo e o acendimento do círio pascal
Durante a homilia, o Pontífice explicou que “ainda hoje os homens continuam a buscar por tal substância curativa. Até mesmo a ciência médica moderna, ainda que não trate propriamente de eliminar a morte, busca excluir o maior número possível de suas causas, procurando fazer a vida melhor e mais longa”.
A este propósito, indagou: “Como seria na verdade, se fosse possível, ainda que não excluir totalmente a morte, adiá-la indefinidamente, alcançando uma idade de várias centenas de anos? Será que seria algo bom?”.
“A humanidade envelheceria numa medida extraordinária, e não haveria mais lugar para a juventude” – observou – “Se apagaria assim a capacidade de inovação, e uma vida interminável seria muito mais uma condenação do que um paraíso”.
“A verdadeira erva medicinal contra a morte deve ser outra” – continuou. “Não deve simplesmente produzir um prolongamento indefinido desta vida atual. Deve transformar nossa vida por dentro. Deve criar em nós uma vida nova, verdadeiramente apta à eternidade: deve nos transformar de modo que não terminemos com a morte, mas sim iniciemos em plenitude com ela”.
“Sim, a erva medicinal contra a morte existe” – concluiu. “Cristo é a árvore da vida novamente acessível. Ao segui-lo, estaremos então na vida”.
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